Um carro apontado como utilizado em um duplo homicídio no bairro Papaquara, no Norte da Ilha de Santa Catarina, foi incendiado na frente da Central de Plantão Policial (CPP) em Florianópolis. O incidente, ocorrido poucos dias após o ataque a tiros que chocou a comunidade, é tratado pelas autoridades como um incêndio doloso e representa uma escalada na tensão envolvendo a disputa territorial entre facções criminosas na capital catarinense.

As informações iniciais indicam que a Polícia Militar foi acionada para atender a ocorrência de fogo. Ao chegarem ao local, guarnições encontraram o Corpo de Bombeiros Militar já combatendo as chamas. Três homens, com características físicas diversas e rostos cobertos por panos, foram avistados ateando fogo ao veículo, o que impediu sua identificação imediata. O carro em questão era uma MMC L200 Triton, com placas AZE5A41, e sua relação direta com o ataque anterior no Papaquara, que resultou nas mortes de Arthur Anacleto Paust, de 21 anos, e de outro homem em confronto com a PM, foi prontamente estabelecida.

Para as forças de segurança, o ato de atear fogo ao veículo apreendido em um local tão simbólico como a frente de uma delegacia é interpretado como uma clara tentativa de eliminar provas cruciais e, sobretudo, uma afronta direta ao aparato policial. O contexto do incêndio se insere na histórica e violenta disputa entre o Primeiro Grupo Catarinense (PGC) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região do Papaquara, o que eleva o nível de preocupação com a segurança pública local.

Durante as diligências, um Ford Focus preto, de placas MHH-0860, foi identificado por câmeras de monitoramento do 4º Batalhão como o carro utilizado na ação de incêndio, transitando na Rua Álvaro Ramos antes e depois do ocorrido. O veículo, com uma roda traseira direita sendo um estepe e outras características incomuns, foi posteriormente localizado destravado e com o motor ainda quente, indicando uso recente. A Polícia Científica realizou a perícia no local e no veículo incendiado, que foi encaminhado à CPP. Um boletim de ocorrência por incêndio doloso foi lavrado, e a Polícia Civil segue investigando a autoria e a conexão direta do crime com os confrontos que desencadearam a operação da Polícia Militar na comunidade.