O vereador Leonel Camasão (PSOL), de Florianópolis, esteve na sede do DIARINHO na tarde desta quinta-feira, antes de lançar o relatório “Quando o discurso de ódio vira lei”, no auditório do Sindicato dos Empregados no Comércio de Itajaí, em evento aberto ao público. Pré-candidato a deputado estadual, Camasão quer ser o primeiro parlamentar LGBT eleito para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
Durante a visita, ele falou sobre as propostas para a pré-campanha e defendeu a ampliação do debate sobre segurança pública com foco em direitos humanos. Segundo o vereador, a experiência de quase um ano e meio na Câmara de Florianópolis tem permitido abordar temas como violência contra mulheres, racismo e LGBTfobia sob uma perspectiva diferente da tradicional. “Se vende a ideia de que Santa Catarina é o estado mais seguro do Brasil, mas é preciso perguntar: seguro para quem?”, questiona. Ele cita dados como o número de feminicídios e casos de injúria racial para reforçar que grupos como mulheres, população LGBT e crianças estão entre os mais vulneráveis.
Para Camasão, segurança pública não se resume a crimes patrimoniais. “É preciso olhar também para outras formas de violência, como o abuso sexual e a violência doméstica”, afirma. Relatório aponta 271 leis inconstitucionais O levantamento “Quando o discurso de ódio vira lei” apresentado pelo vereador identificou 271 propostas com teor considerado inconstitucional entre 1º de janei-ro de 2015 e 15 de outubro de 2025. Destas, cerca de 110 foram aprovadas e estão valendo. O documento aponta que muitas dessas leis envolvem censura a espetáculos, perseguição a professores e restrições a direitos da população LGBT. A região do Vale do Itajaí aparece com destaque no número de propostas.
Para o vereador, há uma estratégia política por trás da apresentação dessas leis. “Muitas vezes, quem propõe e aprova sabe que é inconstitucional, mas faz isso para gerar conflito e ganhar visibilidade”, diz. Ele afirma que o objetivo do relatório é provocar instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Ministério Público e partidos políticos a reagirem. “A velocidade de resposta das instituições é menor que o volume de propostas apresentadas”, avalia. Camasão também critica o funcionamento das comissões de Constituição e Justiça (CCJ), responsáveis por analisar a legalidade dos projetos.
Segundo ele, a análise nem sempre é técnica e pode ser influenciada por interesses políticos de cargos comissionados que acabam ocupando estes cargos. Pré-campanha Sobre a pré-candidatura, o vereador afirma que pretende concentrar atuação nas regiões entre Joinville, Blumenau e Florianópolis, incluindo o litoral norte. Ele de-fende pautas ligadas aos direitos humanos e à representatividade da população LGBT.
Apesar de reconhecer o cenário político conservador em Santa Catarina, Camasão acredita na possibilidade de crescimento das candidaturas de esquerda. Ele cita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve cerca de 1,3 milhão de votos no estado nas últimas eleições.
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
