O cenário eleitoral de 2022 em Canoinhas revelou um quadro preocupante para o desenvolvimento do Planalto Norte catarinense: apesar de contar com mais de 42 mil eleitores aptos, o município terminou a apuração sem um único representante eleito na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC). Essa ausência de deputados locais é apontada como um fator que drena a representatividade e impõe um custo elevado para a região, que fica à mercê de decisões políticas e orçamentárias de parlamentares com foco em outras áreas do estado.
Na estrutura política de Santa Catarina, os 40 deputados estaduais detêm um poder significativo, especialmente através das emendas impositivas e transferências especiais. Esses instrumentos orçamentários são cruciais para o financiamento de áreas vitais como saúde pública, infraestrutura, mobilidade urbana, educação e esporte. A presença de um deputado titular ligado a um município garante que esses recursos sejam direcionados com prioridade para atender às demandas específicas de sua base eleitoral. Sem essa representação, Canoinhas se vê em uma posição de dependência, sujeita aos interesses e prioridades de parlamentares de outras regiões.
Um dos principais fatores apontados para essa fragilidade é a dispersão do eleitorado canoinhense. Nas últimas eleições gerais, milhares de votos foram direcionados a candidatos externos, muitos dos quais não possuem vínculos ou compromissos contínuos com as necessidades locais. O levantamento aponta que 7.567 votos foram para eleger candidatos distantes da realidade de Canoinhas, enquanto outros 10 mil votos foram para candidatos de outras regiões que não obtiveram sucesso nas urnas. Somados a 4.871 votos brancos e nulos, mais de 22 mil votos que poderiam fortalecer uma candidatura local foram efetivamente perdidos em termos de representatividade regional.
O texto ressalta que o fortalecimento de Canoinhas transcende a simples cobrança por serviços públicos, exigindo uma mudança de comportamento no momento do voto. A matemática eleitoral indica que a concentração de votos em candidatos com compromisso com a região é fundamental para aumentar o quociente eleitoral e garantir a conquista de cadeiras parlamentares. Em contraste, a divisão de votos beneficia regiões mais coesas e organizadas, que conseguem eleger seus representantes e, consequentemente, assegurar maior volume de investimentos estaduais. A notícia ainda aponta que outras regiões de Santa Catarina, como o Oeste, o Sul e o Vale do Itajaí, já possuem um modelo consolidado de "voto local", com a sociedade civil organizada promovendo campanhas para apoiar candidatos da própria terra, garantindo assim bancadas fortes que lutam por obras e investimentos governamentais em conjunto.
O potencial eleitoral da Comarca de Canoinhas é considerável, com um total de quase 70 mil eleitores aptos a votar, somando os municípios de Canoinhas (42.759), Três Barras (15.087), Major Vieira (6.055) e Bela Vista do Toldo (5.323). Esse contingente representa um "patrimônio eleitoral" capaz de garantir uma cadeira direta no parlamento estadual, caso haja uma atuação integrada e focada em nomes que conheçam a realidade regional. A pulverização desses votos em dezenas de candidatos de outras regiões, contudo, anula o peso político do Planalto Norte e esvazia o poder de barganha por melhorias regionais.


