A Bóca Mafra, revenda de carros de luxo com matriz em Brusque e a loja Bóca Mafra Premium em Balneário Camboriú, pediu à Justiça uma trégua de 60 dias contra os credores. A empresa declara R$ 156,4 milhões em dívidas.
A loja também tenta impedir que uma factoring de São Paulo leve 22 carros do estoque, avaliados em cerca de R$ 25 milhões.
O pedido é uma tutela cautelar, prevista na Lei de Recuperação Judicial e Falências para empresas que querem negociar com os credores antes de pedir recuperação judicial. As empresas querem:
Segundo a decisão judicial, a empresa tem 28 empregados diretos.
O juiz Uziel Nunes de Oliveira, da Vara Regional de Falências de Jaraguá do Sul, deixou a decisão para depois. Ele deu 15 dias para as empresas corrigirem o pedido e negou o segredo de justiça solicitado.
Entre os pontos levantados, o juiz cobrou a separação das dívidas de cada empresa, comprovantes da mediação com os credores e a lista dos processos que a loja quer suspender.
A lista entregue à Justiça soma R$ 156.425.650,68. Desse total, R$ 81,1 milhões entrariam numa eventual recuperação judicial. Os outros R$ 75,3 milhões têm garantias e ficam de fora. Entre os maiores credores estão bancos como Sofisa, BMP, Safra e Inter, além de cooperativas de crédito.
Para justificar o pedido, a empresa citou queda nas vendas, mais concorrência, juros altos, margens menores e estoque caro, além de golpes e inadimplência de compradores.
Em nota, a Bóca Mafra disse que vai cumprir o despacho do juiz e que a câmara de mediação já procurou todos os credores para agendar reuniões. Segundo a empresa, se as negociações derem certo, não será preciso pedir recuperação judicial. “Estamos enfrentando um momento difícil, que jamais desejaríamos”, afirmou.
A empresa tem 15 dias para corrigir o pedido. Depois disso, o juiz decide se concede ou não a trégua de 60 dias.
Fundador do portal TopElegance, Elson Lopes tem mais de 15 anos de jornalismo. Não foge de pauta difícil: enfrenta a corrupção, cobra respostas das autoridades e não tem medo de bater de frente com quem estiver no poder, sempre do lado do cidadão.



