A produção de navios de apoio marítimo por estaleiros de Itajaí e Navegantes colocou Santa Catarina no mapa da retomada da indústria naval brasileira. Após mais de uma década de crise, o setor bateu recorde e superou o nível de empregos que existia em 2014, quando a operação Lava Jato brecou os grandes contratos e a crise na Petrobras barrou novos investimentos.
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Durante a Naval Shore, feira da indústria marítima que rolou durante a semana no Rio de Janeiro (RJ), o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, informou que o setor alcançou em julho a marca de 86 mil trabalhadores. O total passa dos empregos registrados antes da crise de 2014, quando eram 82,4 mil pessoas trabalhando nos estaleiros.
A retomada dos empregos foi impulsionada com as encomendas da Petrobras, por meio do programa Mar Aberto, de renovação e modernização da frota marítima da empresa. Até junho, eram 82 navios contratados, dois em processo de contratação e outros 12 previstos nos próximos anos. No total, serão 96 embarcações até 2032, com investimentos de R$ 32 bilhões e criação de mais de 20 mil empregos diretos.
A produção envolve 40 navios de apoio marítimo, 20 navios de cabotagem, 18 barcaças e 18 empurradores. Em Santa Catarina, o programa prevê 42 embarcações e geração de cinco mil vagas, com cerca de R$ 12 bilhões em contratos. O estado é destaque com os estaleiros Detroit, em Itajaí, e Navship, em Navegantes, que já tocam a produção dos primeiros navios.
Ainda em Navegantes, o estaleiro Indústria Naval Catarinense (INC) foi contratado pra construir os 18 empurradores do programa. A produção começou neste ano e seguirá por dois anos, gerando 350 empregos diretos. No estaleiro Detroit, o primeiro navio dos 10 do contrato foi apresentado em junho ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à presidente da Petrobras, Madga Chambriard, e será batizado neste mês.
As embarcações produzidas em Itajaí vão compor a frota da Starnav, que presta serviços de apoio marítimo pra Petrobras. Outros 12 navios serão construídos pela Navship, em Navegantes, seis pra Bram Offshore e seis pro grupo DOF. Para atender às novas encomendas, a Navship, que fechou 2025 com 1200 trabalhadores, abriu mais de 500 vagas neste ano. Os contratos reforçam Itajaí e Navegantes como polo da construção naval, com as empresas empregando cerca de quatro mil pessoas.
Segundo a presidente da Petrobras, a expectativa é de geração de 15 mil empregos em Santa Catarina, entre diretos e indiretos, com um total R$ 12,4 bilhões de investimentos para construção das embarcações. “Santa Catarina está despontando como foco importante de construção de embarcações de apoio marítimo com qualidade classe mundial”, destacou Magda no evento em Itajaí.
O protagonismo de Santa Catarina se junta aos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Amazonas, Pará e Bahia, também com estaleiros envolvidos na construção de embarcações, além de módulos para plataformas da Petrobras. O presidente do Sinaval destacou a importância de continuidade dos projetos e das políticas públicas de incentivo à cadeia produtiva do setor.
“Para assegurar este progresso nas atividades dos estaleiros e na cadeia de fornecedores de bens e serviços nacionais, será necessária a continuidade das obras e das políticas de Estado que estão sendo implementadas no Brasil, quaisquer que sejam os dirigentes”, afirmou Ariovaldo Rocha.
Em Itajaí, Lula defendeu a continuidade do programa porque o país tem capacidade produtiva. O governo federal projeta que a retomada do setor pode chegar a 100 mil contratações. O Brasil já foi o segundo maior construtor naval do mundo, atrás só do Japão, no início da década de 1980.
João Batista; jornalista no DIARINHO, formado pela Faculdade Ielusc (Joinville), com atuação em midia impressa e jornalismo digital, focado em notícias locais e matérias especiais.

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