O vereador Aristo Pereira (PT), de Balneário Camboriú, apresentou uma mo��o de rep�dio contra o deputado estadual Carlos Humberto Metzner Silva (PL), por uma publicação nas redes sociais que, segundo o parlamentar municipal, incentiva a exposição pública de comerciantes por suas posições políticas. A proposta solicita o encaminhamento de um ofício ao deputado estadual com os termos da manifestação. Na justificativa, Aristo afirma que Carlos Humberto desafiou comerciantes de esquerda a mostrar publicamente suas posições políticas em seus estabelecimentos. Segundo o documento, a publicação provocou comentários de pessoas pedindo listas de empresas e comerciantes para deixar de comprar nesses locais por causa de suas escolhas políticas. Aristo argumenta que a exposição pode estimular perseguição política, intimidação e boicotes econômicos contra empreendedores que tenham opiniões diferentes. O texto defende que comerciantes possam exercer suas atividades sem sofrer pressões ou retaliações por suas posições políticas ou partidárias. A moção também afirma que ocupantes de cargos públicos devem agir com responsabilidade e respeitar cidadãos com diferentes posicionamentos. O vereador cita garantias constitucionais como a liberdade de pensamento e o direito ao trabalho e ao exercício de atividades comerciais. Na justificativa, Aristo critica o uso da insatisfação com resultados eleitorais para incentivar ataques e discriminação política. Ele defende que pessoas que sofrerem perseguição ou discriminação busquem seus direitos na Justiça e que eventuais atos ilegais sejam responsabilizados. A moção solicita que o deputado estadual seja oficialmente comunicado sobre o repúdio. Boicote a comerciantes na história O uso de boicotes comerciais como instrumento de perseguição política e discriminação tem precedentes históricos. Em 1º de abril de 1933, poucos meses após Adolf Hitler chegar ao poder na Alemanha, o regime nazista organizou um boicote nacional a lojas e negócios de propriedade de judeus, além de consultórios de médicos e escritórios de advogados judeus. A campanha foi acompanhada por integrantes de organizações nazistas posicionados diante dos estabelecimentos, intimidando clientes e exibindo cartazes com mensagens que incentivavam a população a não comprar de judeus. Embora a ação nacional tenha durado oficialmente um dia, ela marcou o início de uma campanha mais ampla de exclusão da população judaica da vida econômica alemã. Nos anos seguintes, medidas discriminatórias e perseguições levaram ao fechamento de milhares de negócios judaicos. O episódio é documentado pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos e integra o histórico de perseguição antissemita que culminou no Holocausto. A comparação histórica exige distinguir aquele boicote, promovido pelo Estado nazista como parte de uma política sistemática de perseguição racial, de outras formas de boicote comercial por motivos políticos.